24 jun. 2017

No me rijo / Não me sujeito - Lota Moncada


No me rijo   (grabado en español)

no me sujeto
a esas reglas
escribo y es
todo un reto

no me rijo
por el quebranto
canto
desafino y corrijo

a veces poema
a veces llanto
siempre dilema
escapo
a mi escondrijo

*****

Não me sujeito  

não me sujeito
a essas regras
escrevo e é
todo um desafio

não me guio  
pelo quebranto
canto
desafino e corrijo

às vezes poema
às vezes pranto
sempre dilema
escapo
ao meu esconderijo



21 jun. 2017

Poema XCI de Cólera buey - Juan Gelman



toda poesía es hostil al capitalismo
puede volverse seca y dura pero no
porque sea pobre sino
para no contribuir a la riqueza oficial
puede ser su manera de protestar de
volverse flaca ya que hay hambre
amarilla de sed y penosa
de puro dolor que hay puede ser que

en cambio abra los callejones del delirio y las bestias
canten atropellándose vivas de
furia de calor sin destino puede
ser que se niegue a sí misma como otra

manera de vencer a la muerte
así como se llora en los velorios
poetas de hoy
poetas de este tiempo

nos separaron de la grey no sé que será de nosotros
conservadores comunistas apolíticos cuando
suceda lo que sucederá pero
toda poesía es hostil al capitalismo

Cólera buey (1964)

2 jun. 2017

Vem embora - L. Moncada, conversando com Pedro Pedreiro...(Chico Buarque)


Poema meu, Vem embora,  arte da amiga poeta, Ive M. Soares e aqui:


a canção composta e interpretada pelo músico e amigo de longa data, Nilo Dörr

Vem embora pedreiro Pedro 
que esse trem é desespero, 
 quem espera nunca alcança 
 e a tardança te desanca,
te maltrata, mais e tanto 
- passo-rasteiro enredado - 
prende nos trilhos, estanca.

Apaga a luz e cai fora, 
larga essa vida pra lá,
tanto penseiro não presta,     
lá fora tem horizonte 
que dá espaço pra ilusão
é tanto espaço, tanta ilusão...

Aqui solidão é mato
que mata pelo descaso, 
mirra da pele pra dentro,
não carece embaçar também.

Junta a tralha, coisa pouca,
deixa essa espera pra lá,
que a viagem fica mais leve
quando se faz com amigo.

Vem comigo pedreiro Pedro, 
que esse trem já não vem, 
já não vem, já nem tem... 




A vida afinal - L. Moncada


13 may. 2017

O Projeto LOTA !

O projeto "LOTA" nasce no início do ano 2003 (isso não é bem verdade, eu nasci em 1948, mas eles só resolveram me homenagear em 2003, fazer o quê? Aceito!), quando a família Cousiño decidiu criar um vinho de classe mundial para celebrar seus 150 anos. 
Este Cabernet Sauvignon Merlot reúne as duas paixões da família: as minas de carvão (aqui tenho algumas restrições...) e a viticultura. É um vinho que conjuga tradição, história familiar e elegância.  

Lota 2010 foi premiado com 97 pontos e selecionado como “Mejor mezcla tinta chilena”. (Embora eu não seja muito “tinta”, agradeço o prêmio, eu mereço!)
De um extraordinário vermelho escarlate, limpo e sem sedimentos, este vinho apresenta aromas puros e delicados de cassis, framboesas silvestres e amoras maduras, com leves notas de canela e cedro. Possui bom corpo (confesso que já foi melhor...) e elegantes taninos que oferecem harmonia equilibrada por uma notável acidez (esta última nota é de alguém que me conhece bem!)

Em boca, é íntegro, mas com taninos aveludados (algo assim como a mão que bate é a mesma que afaga?!). É um vinho de excelência e grande qualidade. A temperatura ideal para ele (ela!) fica entre os 18°C e os 20°C (digamos que pode aumentar até 25°C).
É um vinho para pratos bem temperados e sofisticados como um filé  mignon ao alecrim e purê de maçã, com redução de Cabernet Sauvignon e batatas provençais. (Definitivamente a casa Cousiño Macul me conhece ...)

Só tem um porém: o preço! Aqui no Brasil uma única garrafa pode custar 
$450.  Ai gente, isso não é culpa minha não!😐



2 may. 2017

Queria tanto - Lota Moncada



queria tanto
ter palavras
brandas tenras
meigas doces
palavras lhanas
de esperançar
palavras amenas
para ninar

mas qual...
tudo o que
a garganta abriga
é grito silente
o avesso do verso
é fadiga  é ritual
de lenta despedida

28 mar. 2017

E novamente, aniversário de "grande número"!


Dia 27 de março, ontem, fiz aniversário! Um aniversário de "grande número". 

Grande número de anos, de experiências, grande número de peças de teatro, de viagens, grande número de amigos e de afetos! 

Fiquei pensando, dias antes do "evento" (que coincide com a minha mais fiel paixão, o Dia Internacional do Teatro), que estou ficando velha. De fato, estou. Estamos todos, os que não saíram do palco antes... 
Andava meio desanimada, com aquela coisa de dor aqui, dor ali, me sentindo meio sozinha, sem saber bem como encarar a coisa (afinal, nada nesta vida vem com “manual de instruções”!) e até sem vontade de festejar, de celebrar, como sempre fiz, ou fizeram pra mim, toda a minha vida.

Mas, acho que me enganei. Estou é ficando mais rica. Nestes 69 anos tenho tido muitas sortes! 

A primeira já nem sorte é, é privilégio: ter podido escolher o que queria fazer o resto da minha vida!
E não mudaria uma vírgula disso, mesmo que pudesse. Embora os tais problemas, as pobrezas, as incertezas, algumas decepções, e vários ponto e vírgula a mais!

E a segunda, esta sim, sorte da boa, a de ter conseguido fazer e manter, ao longo destes muitos anos, amigos inestimáveis, sem preço mesmo! Parceiros de vida, afetos sem prazo de validade. 

E cada qual a sua maneira, manifestou esse carinho dia 27, desde o seu canto a maioria - e bota canto nisso -  que tenho amigos espalhados por boa parte do planeta, do Chile ao Brasil, passando pelo Uruguai, Argentina,  Espanha, Japão, EUA, Portugal, Suécia, México, Holanda, França…  

“Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar”!

Aqui lhes deixo uma amostra do que quis dizer aí em cima, com esse papo todo! Espero que não tenham se cansado e leiam até o fim, vale a pena!

E aos mais de 300 amigos que deixaram suas mensagens, e que, juro, tentei responder um por um, mas devo ter pulado vários, porque, vocês entendem né!? a idade vem também com suas mazelas, a minha gratidão sincera e minha amizade incondicional! 
                                                                 Lota, 27.3.17










Paz, muita saúde e um poema para reflexão nesse dia tão especial. Um grande abraço. Antonio Thadeu Wojciechowski

Vida

um ano a mais
um ano a menos
que diferença faz
quando já somos
mais ou menos
mais suaves
mais sábios


mais fortes
mais justos
e de mais a mais
cromossomos

um ano a mais
um ano a menos
a vida é cais
e lá vão nossos sonhos:
barcos pequenos

um ano a mais
um ano a menos
lendo os sinais
nos esquecemos
e quando nos lembramos
é tarde demais

um ano amais
outro odiais
um ano demais
outro de menos
um ano tanto fez
outro tanto faz
um ano como nunca houve outro
um ano sem pagar e só levando o troco

um ano que vem
um ano que vai
e os mesmos ais
mais amenos

********************   ********************
Parabéns, felicidades mil. Arnaldo Sender.

Poema de Aniversário - Carlos Eduardo Drummond

Procurei no dicionário,
Com paciência e cuidado,
O real significado
Da palavra aniversário.
Aquele livro pesado, 
Mestre dos visionários,
"Pai dos burros" batizado,
Pareceu-me sectário,
Ao responder meu chamado.
Deveras decepcionado,
Joguei o meu dicionário
Na estante, empoeirado,
Para pregar, solitário,
O meu significado
Da palavra aniversário.
Diz assim, o verbete lendário,
Ontem, por mim criado:
"Aniversário: Espécie de relicário,
Muitíssimo bem guardado
Nas folhas do meu diário,
Dos versos que eu escrevi,
Com todo amor, e não li,
Durante o ano passado".


Se chegaram até aqui, devem concordar comigo: muitas sortes mesmo!

25 mar. 2017

Há palavras que nos beijam - Alexandre O´Neill


Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

E aqui o poema, belamente interpretado por essa gigante da música portuguesa, Mariza.
https://youtu.be/Up_EG7mvGoQ

20 mar. 2017

Inferno astral


Chega perto do meu aniversário e sempre fico pensando (tá, eu só penso uma vez por ano, entendeu!?) naquela velha frase, arremedo de plano completo de voo: "plantar uma árvore, ter um filho, escrever um livro." 

E a cada ano - mais próxima dentro da ilógica da vida - do fim, me proponho a mesma coisa! 
Já plantei uma árvore, já tive dois filhos, e nada de livro gente!? 

Então... Tou esperando o quê?! Um editor!?

Ah, sei lá, por enquanto vou substituindo o livro pelos Cds, e continuo pensando... 

Espero que não seja um livro póstumo!

5 mar. 2017

Ricardo Silvestrin, ao vivo

O escritor, músico, cantor, poeta Ricardo Silvestrin fala ao vivo no Facebook sobre a programação de março no Theatro do Abelardo do Vila Flores, "Ricardo no Abelardo"  

No dia 8 de março, começa a programação com show dos PoETs.
No dia 15 Dois Pontos (ver aqui debaixo) poemas para duas vozes de Ricardo Silvestrin, que apresentaremos juntos. 
Ingressos no local. Esperamos vocês!


21 dic. 2016

Dias difíceis - Lota Moncada

Hoje é um dia bem difícil.

Já sei, já sei, a vida é difícil, este ano tem sido muito difícil. O século xx mais o que vai do xxi completaram este ano a mesma duração que  a Guerra dos 100 anos (que, como sabem, durou 116 ...), só sem as monarquias daquela época, e talvez, com consequências bem piores e por motivos torpes.
Mas voltando a nossa pequena terra em órbita, e mais especificamente ao nosso quintal, temos um dia de impotência e luto; de absurdos inacreditáveis; de idiotismo completo, total e sem cura; de desânimo sem redenção.
E pairando no ar, formando aquela densa nuvem de perplexidade, ficam as perguntas: o que podemos fazer realmente? O que devemos fazer? Como? Com quem?

Por outra parte, também acontecem  boas coisas, pequenas talvez diante da magnitude dos fatos que vivemos e da absoluta incerteza de um futuro razoável, mas coisas feitas por nós, seres humanos que reivindicamos nossa condição todos os dias, com muito trabalho e dedicação, e frequentemente sem qualquer reconhecimento,  como o lançamento  de um livro, hoje, neste caso, a antologia Blasfêmeas: mulheres de palavra, um belo trabalho conjunto, se quiserem ver mais, aqui: https://www.facebook.com/events/230745147360683/

E não, não estou “usando” a terrível situação que vivemos em “proveito próprio”, e nem procurando a  autocomiseração, ao contrário, num momento assim, lembro muito de um escritor a quem admiro como tal, mas com quem nunca concordei com suas posições políticas (bastante mutáveis por sinal!) embora reconheça nele momentos de grande lucidez, o peruano Mario Vargas Llosa: “ Só um idiota pode ser completamente feliz.”
E ainda me pergunto se não se poderia acrescentar: “E talvez, um canalha.”


5 dic. 2016

Blasfêmeas: mulheres de palavras


Aqui fica o convite para o lançamento, hoje, 21 de dezembro, de Blasfêmeas mulheres de palavra. 
Bem contente de estar lá com três poemas: Poesia errante, Kuasi haikai e Poemeto psicologista.

Antologia organizada por Marilia Kubota e Rita Lenira Bittencourt, reunindo 64 poetas que vêm publicando no Brasil a partir da década de 1990. 
O projeto gráfico, diagramação e capa são de Roberto Schmitt-Prym da Editora Bestiário. 
A coordenação editorial e a edição são da Laís Chaffe da Casa Verde. 


14 sept. 2016

No me rijo / Não me sujeito - Lota Moncada


No me rijo  

no me sujeto
a esas reglas
escribo y es
todo un reto

no me rijo
por el quebranto
canto
desafino y corrijo

a veces poema
a veces llanto
siempre dilema
escapo
a mi escondrijo

*****

Não me sujeito  

não me sujeito
a essas regras
escrevo e é
todo um desafio

não me guio  
pelo quebranto
canto
desafino e corrijo

às vezes poema
às vezes pranto
sempre dilema
escapo
ao meu esconderijo




13 sept. 2016

Dias - Lota Moncada

tem dias sim
tem dias não
dias quase
talvez quiçá
dias assim
assado cozido
dias que tais
pra lá de Bagdá
dias mortais
dias noites
baços borralha
dias atrás
dias já era
dias e aí?

e os que
ainda virão
esses dias
sem ais

serão? 

Composição e interpretação Ronald J. Magalhães

11 sept. 2016

Te recuerdo Amanda - Víctor Jara (Chile, 1932- 1973)

Víctor Jara (Chile, 1932 - 1973). Siempre vivo en la memoria de los que luchan por la libertad!

Luego del golpe de Estado que derrocó al gobierno, democráticamente electo de Salvador Allende, el 11 de setiembre de 1973, Jara fue detenido por las fuerzas represivas de la dictadura militar recién establecida. Fue torturado y posteriormente asesinado en el antiguo Estadio Chile, que con el retorno de la democracia fue renombrado «Estadio Víctor Jara».
Esta  canción, Te recuerdo Amanda, la compuso en 1969, cuando todavía era director artístico del emblemático grupo Quilapayún, un sentido homenaje a los obreros de nuestro pueblo.

5 sept. 2016

Sem resposta - Lota Moncada (agosto, 2016)


quanto sofrimento
cabe num só peito?

quantas dores contam
os dedos de uma mão?

quantos golpes leva
um corpo até cair?

quanta realidade para
revogar um sonho?

quantos silêncios
emudecem um coração?

quanta vida é preciso
para matar uma morte?

quantas perguntas para
ficar sem uma resposta.


4 sept. 2016

No sé lo que quiero / Não sei o que quero - Lota Moncada

No sé lo que quiero.
No quiero lo que sé.

Ese silencio plano,
llenando cada rincón
de espanto sin melodía,
desgarra el oído, quema
indiferente, lluvia ácida
perversa y resbaladiza,
con derecho a más, sin ay.

No sé si quiero lo que quería.
No sé ya lo que quería, pero
no quiero saber lo que sé.

**

Não sei o que quero.
Não quero o que sei.

Esse silêncio plano,
preenchendo cada canto
de espanto sem melodia,
desgarra o ouvido, queima
indiferente, chuva ácida
perversa e escorregadia,  
com direito a mais, sem ais.

Não sei se quero o que queria.
Não sei mais o que queria,
mas não quero saber o que sei.



8 ago. 2016

Noción de patria - Mario Benedetti. Voz, Lota Moncada



Cuando resido en este país que no sueña
cuando vivo en esta ciudad sin párpados
donde sin embargo mi mujer me entiende
y ha quedado mi infancia y envejecen mis padres
y llamo a mis amigos de vereda a vereda
y puedo ver los árboles desde mi ventana
olvidados y torpes a las tres de la tarde
siento que algo me cerca y me oprime
como si una sombra espesa y decisiva
descendiera sobre mí y sobre nosotros
para encubrir a ese alguien que siempre afloja
el viejo detonador de la esperanza.

Cuando vivo en esta ciudad sin lágrimas
que se ha vuelto egoísta de puro generosa
que ha perdido su ánimo sin haberlo gastado
pienso que al fin ha llegado el momento
de decir adiós a algunas presunciones
de alejarse tal vez y hablar otros idiomas
donde la indiferencia sea una palabra obsena.

Confieso que otras veces me he escapado.
Diré ante todo que me asomé al Arno
que hallé en las librerías de Charing Cross
cierto Byron firmado por el vicario Bull
en una navidad de hace setenta años.
Desfilé entre los borrachos de Bowery
y entre los Brueghel de la Pinacoteca
comprobé cómo puede trastornarse
el equipo sonoro del Chateau de Langeais
explicando medallas e incensarios
cuando en verdad había sólo armaduras.

Sudé en Dakar por solidaridad
vi turbas galopando hasta la Monna Lisa
y huyendo sin mirar a Botticelli
vi curas madrileños abordando a rameras
y en casa de Rembrandt turistas de Dallas
que preguntaban por el comedor
suecos amontonados en dos metros de sol
y en Copenhague la embajada rusa
y la embajada norteamericana
separadas por un lindo cementerio.

Vi el cadáver de Lídice cubierto por la nieve
y el carnaval de Río cubierto por la samba
y en Tuskegee el rabioso optimismo de los negros
probé en Santiago el caldillo de congrio
y recibí el Año Nuevo en Times Square
sacándome cornetas del oído.

Vi a Ingrid Bergman correr por la Rue Blanche
y salvando las obvias diferencias
vi a Adenauer entre débiles aplausos vieneses
vi a Kruschev saliendo de Pennsylvania Station
y salvando otra vez las diferencias
vi un toro de pacífico abolengo
que no quería matar a su torero.
Vi a Henry Miller lejos de sus trópicos
con una insolación mediterránea
y me saqué una foto en casa de Jan Neruda
dormí escuchando a Wagner en Florencia
y oyendo a un suizo entre Ginebra y Tarascón
vi a gordas y humildes artesanas de Pomaire
y a tres monjitas jóvenes en el Carnegie Hall
marcando el jazz con negros zapatones
vi a las mujeres más lindas del planeta
caminando sin mí por la Vía Nazionale.

Miré
admiré
traté de comprender
creo que en buena parte he comprendido
y es estupendo
todo es estupendo
sólo allá lejos puede uno saberlo
y es una linda vacación
es un rapto de imágenes
es un alegre diccionario
es una fácil recorrida
es un alivio.


Pero ahora no me quedan más excusas
porque se vuelve aquí
siempre se vuelve.
La nostalgia se escurre de los libros
se introduce debajo de la piel
y esta ciudad sin párpados
este país que nunca sueña
de pronto se convierte en el único sitio
donde el aire es mi aire
y la culpa es mi culpa
y en mi cama hay un pozo que es mi pozo
y cuando extiendo el brazo estoy seguro
de la pared que toco o del vacío
y cuando miro el cielo
veo acá mis nubes y allí mi Cruz del Sur
mi alrededor son los ojos de todos
y no me siento al margen
ahora ya sé que no me siento al margen.

Quizá mi única noción de patria
sea esta urgencia de decir Nosotros
quizá mi única noción de patria
sea este regreso al propio desconcierto.

28 jun. 2016

Sin nombre - Lota Moncada


Me ahogan las preguntas 
que no hago, los abrazos no dados,
las respuestas que no tengo,
los amores que ya no.

Como sangre estancada
polvo en las narinas, sienes latiendo,
aire irrespirable, manos lasas,
marioneta destartalada…

¿Qué me impide desahogarme hacerlas, darlos, amar, tenerlas?

A no ser este temor 
recogido, absorto,
vacío amenazador y denso
tanta miserable rutina 
  
y la estremecedora falta que me haces.


12 abr. 2016

Pequeña historia - Julio Moncada (poema inédito y cumpleaños)

Hoy, mi padre cumpliría 97 años! Lamentablemente, el azar, el destino o como quieran llamarle, creo yo que los dolores, la impotencia y las angustias, lo llevaron mucho más temprano, a los 64, en su exilio en París.
Pero todos los 12 de abril son su/mi día de especial recuerdo.

Permítanme compartir con ustedes algo que hace parte de mi más íntima  memoria. Es un poema que mi padre me escribió (en 1963) cuando mi madre y su marido decidieron venir a vivir a Brasil. Yo vivía con ellos, tenía que venir también.

Mi relación con papá fue siempre muy estrecha, muy íntima, un tanto silenciosa -  él, aún más introspectivo que yo - pero muy amorosa y profunda. Alejarnos fue un dolor inmenso. Para ambos. 

Algunos años después volví a vivir en Montevideo, con él y su esposa, la actriz y directora de teatro, Nelly Goitiño. Pero esa es ya otra historia! 
En este día, siempre nostalgioso, les dejo el poema (inédito) que bien expresa su tristeza, escrito en su vieja máquina Royal, de 1945...